Pastoreio Regenerativo

Porakaa

Comportamento e saúde animal

Atualmente a criação de animais é apontada por muitos como um dos fatores que degrada ecossistemas em todo o planeta, mas alguns exemplos recentes tem demonstrado que o problema não é a presença do animal e sim a maneira como a pecuária tem sido praticada.

Essa degradação pelo manejo errado das pastagens chega a ser usada como propaganda pelas grandes empresas para defender o confinamento de animais, alimentados com restos e rações industriais, privados de expressar seus comportamentos naturais, colocando em cheque seu bem estar e liberdade.

Por outro lado, o sistema de pastejo mais comum no Brasil é livre, com pouco direcionamento em piquetes, deixando os animais soltos em grandes áreas de pasto por longos períodos de tempo, o que também resulta em problemas. Quando não há descanso adequado da forrageira, a rebrota do capim é consumida pelos animais e junto dela vão as últimas reservas de energia, necessárias para que a planta cresça novamente.

Além dos altos custos com manutenção frequente dos pastos, a partir desse processo a compactação passa a ser um problema pois soma-se ao intenso uso de maquinário pesado na reforma da pastagem a falta de força para as raízes perfurarem o solo.

Uma inovação no manejo dos animais que tem alcançado ótimos resultados é o modelo proposto pelo ecologista africano Allan Savory que ficou famoso mundialmente com sua palestra no TED onde compartilhou sua experiência e o equívoco que cometeu ao responsabilizar a presença de animais como causa da degradação das pastagens nativas da savana africana. Após diminuir a densidade animal nas áreas estudadas, o processo de degradação intensificou-se ainda mais.

A proposta é fazer que a criação de animais frequente os pastos da maneira mais parecida com a que acontece na natureza, que são grandes rebanhos de herbívoros (adensados pela preocupação com predadores) pisoteando e migrando pelo terreno em busca de capins frescos, deixando um rastro de fezes e urina no solo revirado. Após a passagem dos herbívoros grandes grupos de aves são atraídos pelos insetos e sementes germinando presentes nas fezes, e que ao ciscar facilitam ainda mais o processo de adubação e controle de parasitas.

Aqui no Brasil tivemos a oportunidade de conhecer o trabalho pioneiro de Marsha Hanzi, permacultora que tem regenerado áreas degradadas de caatinga no semi-árido da Bahia utilizando compostos feitos com dejetos de animais de várias espécies e com o pastoreio rotacionado de vacas leiteiras com vários objetivos diferentes:

  • revolvimento e preparo do solo arenoso compactado para posterior plantio de culturas (milho, feijão, algaroba, maxixe, melancia)
  • aporte de água presente na urina (essencial em regiões áridas)
  • adubação com esterco de alta qualidade
  • incremento de microorganismos benéficos à vida do solo
  • dispersão de sementes de interesse adicionadas à dieta

Gostaríamos muito de difundir essa técnica pelo Brasil, auxiliando na regeneração de áreas degradadas, na viabilidade econômica das criações a pasto, e na produção de alimentos que respeitam o animal e o ambiente (é possível!). Se você tem um sítio, fazenda, ficou curioso e quer saber mais sobre esse manejo entre em contato conosco ou mande um email para contato@porakaa.com.br

Da esquerda para a direita em pé: Acácia, Jó, Marsha e Luis.
Abaixados: Thais e Guilherme

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2 Responses

  1. tenho muito interesse no tema . Estou iniciando na atividade leiteira com piquetes rotacionados e muito interesse em recuperação de pastagem

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